Educação em pauta

Imagem: 65% das crianças que estão na educação básica terão profissões que ainda não existem.

por Aparecida Debona Altoé

Supervisora Pedagógica do Colégio Santo Agostinho

01/08/2018

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65% das crianças que estão na educação básica terão profissões que ainda não existem.

A afirmação feita no Fórum Econômico Mundial de que “65% das crianças que atualmente estão na educação básica terão profissões que ainda não existem” indica que mudanças sociais e econômicas rápidas e intensas varrerão o mundo nos próximos anos, o que coloca a escola, de modo geral, numa posição estratégica e também muito difícil.

Embora saibamos que tais mudanças se anunciam no horizonte histórico e, apesar dos dados apresentados em pesquisa feitas por instituições diversas, ainda não sabemos exatamente que profissões serão essas, nem tão pouco como se distribuirão regionalmente. Tais constatações repercutem nas escolhas curriculares e nas definições metodológicas das instituições de ensino, exigindo que elas se aproximem cada vez mais de pesquisas relacionadas a economia, tecnologia e sustentabilidade, para, a partir daí, reorganizarem seus discursos formativos numa velocidade nunca antes experimentada. Isso porque, cabe à escola preparar os indivíduos para contextos reais nos quais o conhecimento deve ser um bem útil, um valor a ser vivido.

Nesse sentido, a escolha metodológica, a ênfase em determinados tópicos e a intencionalidade pedagógica formam mentes, pessoas, atitudes que estão para além de boas notas nas provas, porque podem representar a sobrevivência real dos indivíduos e a busca de soluções para a sustentabilidade da vida no planeta.

65% das crianças que atualmente estão na educação básica terão profissões que ainda não existem
Conhecimento, um bem útil, um valor a ser vivido.


Contudo é preciso salientar que seria de um reducionismo tacanho submeter a função da escola apenas à formação de mão de obra para os mercados de trabalho, pois à escola cabe formar seres humanos para viverem e se integrarem socialmente, aproveitando o máximo de seu potencial e dos conhecimentos produzidos pela humanidade e para o bem da humanidade. Por isso, mesmo que os mercados de trabalho mudem drasticamente e ainda não saibamos exatamente quais profissões emergirão, ainda assim haverá competências a serem construídas no ambiente escolar que se aplicam a qualquer situação ou ambiente, tais como: saber trabalhar em equipe, buscar soluções cooperativas e integradoras, relacionar conhecimentos de campos distintos, saber comunicar adequadamente suas ideias, ouvir e avaliar discursos divergentes e, sobretudo, saber respeitar a diversidade são competências que farão enorme diferença em qualquer ambiente de trabalho. Vocês se lembraram de algum ambiente escolar no qual tais competências são mais evidentes? Na Educação Física, nas Artes, no Ensino Religioso, na Filosofia, desde que haja uma intencionalidade muito clara no ato de conduzir situações de aprendizagem. Evidentemente, há outras ferramentas conceituais e teóricas que serão também muito valorizadas nesse contexto por sua funcionalidade: as linguagens, a matemática e a física. Por outro lado, tenderá a se diferenciar neste mercado tão instável aquele que puder unir ao seu repertório formativo a sensibilidade estética pertinente à arte e as habilidades sócio emocionais.

A escola terá sua função reconhecida e reforçada neste contexto de instabilidade, se souber aproveitar os conhecimentos que construiu historicamente, com sensibilidade, acolher crianças e adolescentes que já trazem em si um modelo de pensamento moldado pelo contato constante com a tecnologia e a mídia e reforçar aspectos humanizadores integrando inteligência e emoção.