Educação em pauta

Imagem: Pensamento crítico, inteligência emocional e criatividade: habilidades essenciais no futuro.

por André Gustavo Martins Rossi

Professor do Colégio Santo Agostinho

19/09/2018

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Pensamento crítico, inteligência emocional e criatividade: habilidades essenciais no futuro.

Em pleno século XXI, a disputa por uma colocação no mercado de trabalho tem se tornado desafiadora para grande parte das pessoas. Diante dessa inevitável realidade, muitos pais têm procurado garantir aos seus filhos uma boa educação escolar, sustentada na qualidade do ensino. Com filhos matriculados nessas escolas, as famílias tranquilizam-se e ficam mais otimistas em relação ao futuro dos educandos. Diversos pais acreditam que, ao serem aprovados em instituições de ensino superior, após a conclusão da educação básica, encerrou-se em definitivo um capítulo da vida de seu filho e que, tão logo o diploma universitário seja obtido, os recém-formados terão inúmeras oportunidades de emprego e trabalho à disposição, como se a colocação do jovem na vida profissional se desse de modo instantâneo e imediato. Mas será que é assim que as coisas realmente vêm acontecendo?


Pensamento critico inteligencia emocional e criatividade: habilidades essenciais no futuro
A capacidade de raciocinar, criar e transformar a realidade torna o ser humano indispensável e protagonista na sociedade.

 

A escolha por uma boa escola, durante a vida escolar de crianças e adolescentes, é extremamente importante. É essa escola que oferece ao educando as ferramentas essenciais para que ele se aproprie do conhecimento de modo satisfatório. É também nessa escola que se encontram professores bem formados e capacitados, além de um programa curricular que atende às exigências atuais. Vale ressaltar, no entanto, que uma instituição escolar de qualidade não é aquela que oferece apenas isso a seus alunos.

Além de um sistema de ensino adequado, de professores competentes e de um programa curricular atualizado e consistente, é necessário, também, que a escola priorize e dê destaque a estes componentes durante o processo de formação de seus alunos: a construção de um pensamento crítico, o incentivo da inteligência emocional e o desenvolvimento da criatividade do aprendiz. No mundo atual, são esses três elementos, alinhados a uma elevada formação escolar, que constituem a base necessária para qualquer pessoa se dar bem em sua vida cotidiana.

A formação de um pensamento crítico exige que as pessoas avaliem e julguem afirmações, pontos de vista e conceitos que a sociedade considera como verdadeiros nos contextos da vida cotidiana. Em linhas gerais, esse pensamento requer um julgamento do indivíduo ao questionar a existência de um real motivo para considerar uma questão como verídica. No ambiente escolar, espaço privilegiado para a construção do conhecimento, os diversos conteúdos, das mais variadas disciplinas, difundem-se com intensidade em sua rotina. Ao lado dessa realidade, o mundo também oferece aos nossos jovens estudantes informações diversas e constantes. Compete à escola abrir discussões conscientes sobre as informações dadas aos seus alunos e por eles recebidas a todo momento, despertando neles a capacidade de realizar julgamentos e formar a sua própria opinião. Possuir um amplo pensamento crítico, hoje em dia, é uma das habilidades mais valorizadas pelas empresas, e se ingressa mais facilmente no mercado de trabalho quem o possui.

Assim como o incentivo à elaboração de um pensamento crítico, outro aspecto que ganha destaque na formação do indivíduo em fase escolar é o estímulo de sua inteligência emocional. Por inteligência emocional, pode-se ilustrar, ainda que de maneira breve, que se trata daquela pessoa que consegue reconhecer com maior facilidade as suas emoções e é capaz, diante de possíveis dificuldades, de motivar-se e de controlar os seus próprios impulsos, direcionando as suas emoções para situações adequadas e positivas. Também conhecida por “inteligência social”, a inteligência emocional exige, cada vez mais, pessoas com pensamento crítico aguçado, que saibam trabalhar em equipe, que tenham capacidade de tomar decisões e que sejam práticas e justas ao fazerem escolhas em situações diversas. Nesse sentido, ao obterem o seu diploma universitário, os nossos jovens terão maior possibilidade de sucesso em sua carreira profissional, ao saberem se posicionar com sabedoria diante de situações desfavoráveis, controlando adequadamente os seus impulsos e agindo com praticidade e sensibilidade.

Em um tempo em que as mudanças em nosso meio ocorrem aceleradamente, sejam essas mudanças no âmbito social, cultural ou tecnológico, e com informações sempre atualizadas que chegam constantemente a todos nós por diversas fontes, é de se reconhecer que apenas o conhecimento enciclopédico – aquele adquirido por meio da leitura de livros e de apostilas ou pela simples memorização de fórmulas matemáticas, por exemplo – não é o suficiente para a completa formação dos indivíduos, embora o seu papel também seja de significativa relevância para a instrução do estudante. Ao lado dessa forma de se apropriar do conhecimento, a formação das pessoas deve ser conduzida de um modo que permita que elas aprendam a lidar com as suas próprias emoções, e a escola tem grande responsabilidade nesse processo. Dessa maneira, crianças e adolescentes, inseridos em uma escola consciente dessa realidade, precisam ter contato direto com práticas que os estimulem a criar, a produzir e a inventar coisas novas. Independentemente da disciplina que leciona, o professor deve incentivar a criatividade do seu aluno, por meio de ações eficazes que estimulem esse potencial no educando. Em sua futura vida adulta, os alunos de hoje encontrarão um mercado de trabalho que exige profissionais criativos, capazes de pensar soluções eficientes para os mais diversos contratempos.

A escola ideal para crianças e adolescentes é aquela que possui notável qualidade, com professores competentes, currículos disciplinares atualizados e bem elaborados, além de possuir ferramentas de ensino diversificadas. É importante destacar que o papel maior da escola é ensinar; é nela que o aluno tem a oportunidade de se apropriar de todo o conhecimento necessário para o prosseguimento de seus estudos nas universidades. Dessa maneira, é preciso que a escola tenha suas práticas de ensino sustentadas na formação de alunos que obtenham, ao longo de sua vida estudantil, uma visão crítica do mundo e da realidade atual. É necessário também que a escola estimule a inteligência emocional e a criatividade de seus educandos. O mundo de hoje exige isto: pessoas que consigam controlar as suas próprias emoções em contextos desconfortáveis, que saibam avaliar as mais variadas situações que as rodeiam, e que, finalmente, saibam ser criativas em suas ações frequentes. A formação escolar baseada nesses princípios faz com que tenhamos, futuramente, profissionais completos, eficientes, qualificados e capazes de se destacarem positivamente na profissão escolhida. A escola que assim age revela que tem compromisso com a formação de indivíduos que se alinham aos princípios éticos da autonomia, da responsabilidade, do respeito ao bem comum e da cidadania.